House of Cards é a aclamada produção original da gigante do serviço de streaming mundial Netflix. Trata-se de um fortíssimo drama político que é protagonizado pelo polêmico deputado Frank Underwood, que é brilhantemente interpretado pelo premiado ator Kevin Spacey.  As linhas desse blog são pouquíssimas para tecer elogios ao uma das mais geniais séries em curso atualmente.

 

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Frank Underwood (Kevin Spacey)

 

Contudo, eu quero tratar acerca de um personagem controverso que, particularmente, eu gosto bastante (apesar de não admirá-lo no começo de forma alguma) que é existente tão somente na primeira temporada da atração: Peter Russo, que é interpretado pelo ator chamado Corey Stoll.

 

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Peter Russo (Corey Stoll): um exemplo que não deve ser seguido.

 

Peter é um deputado eleito basicamente por operários de um estaleiro que acreditaram em suas muitas promessas de geração de empregos. Russo, então, após ser eleito, acaba estabelecendo uma forte relação entre os mesmos.

Mas ele tem um segredo: é um alcoólatra viciado em algumas drogas e sexo com prostitutas. Ele sempre está em alguma farra. Peter, apesar de possuir um casal de filhos pequenos – crianças – tem um estilo de vida que é exemplo pra ninguém. Mesmo assim ele segue em sua carreira pública aos trancos e barrancos.

Entretanto, Frank Underwood ver em Peter Russo uma figura excelente que pode atender os seus interesses políticos. Assim, Russo acaba virando candidato a governador (no início, com bastante relutância dele mesmo) tendo Frank como principal aliado.

Russo então precisa lidar com os seus vícios, começa a lutar contra eles, entra inclusive para o AA, sendo estimulado por Frank e se assessor. Mantêm uma determinada sobriedade, mas, um dia, Russo acaba com tudo. Ele recai.

Em uma festa, um dia antes de uma entrevista a uma grande estação de rádio em que ele anunciaria um importante apoio para a sua campanha, Peter acaba sendo seduzido por uma bela mulher que lhe oferece uma noite inesquecível. Resistindo no começo, Peter acaba aceitando o convite. Resultado: ele acorda no dia seguinte movido a drogas, álcool e uma ressaca infernal e acaba dando um fim em sua candidatura com uma auto-humilhação pública. O evento foi crucial para os breves dias de Peter Russo que se sucederão.

 

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House of Cards: Peter Russo na corda bamba entre os seus desejos tão nocivos e o sucesso que é tão desejado por ele mesmo.

 

A derrota de Peter Russo acaba por nos mostrar uma grande lição quando o assunto é pecado.

Um pouco acerca da doutrina do pecado

Conhecemos a estrutura do pecado logo no Gênesis com a conhecida história entre Eva, Adão e a serpente (na verdade, Satanás disfarçado, conforme descrito em 2Co. 11:03,14 e Apc. 12:09). A principio, a ordem dada pelo Criador era não experimentar o tal fruto do conhecimento do bem e do mal. Eva, entretanto, acabou sendo convencida que o fruto não era tão perigoso assim e tinha uma aparência tão boa… Qual mal ele poderia proporcionar? Assim sendo, após uma mordida, ela deu ao seu progenitor e segue-se, então, a tão conhecida história.

Todo o pecado ocorre de maneira análoga ao Éden e a Peter Russo. Veja uma comparação entre os dois episódios e o padrão que há:

A dúvida

“Mas a serpente, mas sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim? Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores do jardim podemos nós comer, mas do fruto que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais. Então a serpente disse a mulher: É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer e bastante agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido e ele comeu.”

Gn. 03:01-06

Vamos ver o que aconteceu no Éden: para conseguir o que queria, o animal “mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito” começa a questionar Eva acerca da ordem recebida pelo Eterno. Como conseqüência, Eva então passa a duvidar das consequências de seu ato, relacionando-o com o prazer que teria ao comer o fruto.

Exatamente a mesma coisa aconteceu com Peter Russo. Ao se deparar com uma proposta indecente, Russo pensa do compromisso que terá no dia seguinte, mas está diante de algo tão bom agora…

Assim como Eva, Russo reluta ao atender ao pedido lembrando primeiramente de sua responsabilidade e após ver os prós e contras das duas situações, acabam colocando em uma verdadeira apoteose inconsequente o prazer que lhes apresenta.

É possível notar tanto em Peter Russo, como em Eva, o protótipo do pontapé inicial de qualquer atividade pecaminosa: a dúvida. É sempre assim. É nos apresentando algo gostoso, que é julgado instantaneamente como sendo bom. É atrativo, é legal, é prazeroso. “Ah, é só uma vez mesmo, não atrapalha”, “Não tem ninguém olhado, por que não?”. “É última vez, prometo”.

Após a consumação do ato, acordamos em um mar de frustrações, incertezas, há um verdadeiro sentir-se totalmente sujo, maculado. Foi assim com Peter Russo, com Eva e Adão e continua sendo assim conosco toda vez que nós caímos no erro de pecar.

As consequências espirituais do pecado

“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram [e carecem da glória de Deus, Rm. 03:23].”

Rm. 05:12

O primeiro casal tinha sobre si uma gigantesca responsabilidade. Sobre eles estava o domínio sobre o jardim e seus atos geravam consequências futuras. Foi exatamente isto que Eva e Adão esqueceram ao experimentarem o tal fruto.

 

“Da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”

Gn. 02:17

Todo o pecado tem todas as suas respectivas consequências. Sobre o primeiro pecado, Deus já havia dito qual ela seria.

As primeiras consequências do pecado – as mais sérias – são as de ordem espiritual. O apóstolo Paulo ao analisar o trágico fato da Criação, afirma que em Adão está a origem da morte e da Depravação Total de todos os seres humanos do planeta Terra sem sombra de exceção alguma.  Ou seja: a primeira conseqüência do pecado sempre é a de caráter espiritual. O pecado sempre afasta o ser humano de Deus. Isto é desde o primeiro pecado e veja só: foi por causa da total falta de responsabilidade de Adão que até hoje paga-se a consequência espiritual de sua desobediência.

Eva e Adão no entanto lembraram-se disto? É evidente que não! Todo o pecado surge em inconsequência, em estupidez ao não pensar no futuro, assim como Peter Russo.

Quando há pecado, consequentemente há, após, o afastamento de Deus. O entristecimento total do Seu Santo Espírito (Ef. 04:30).  Há a negação da onisciência e também da onipresença de Deus. O pecado é uma burrice das maiores!

Em síntese, as consequências espirituais do pecado:

 

01 – O afastamento de Deus (exatamente por ele ser uma figura pura, santa, reta, irrepreensível, e que não existe qualquer maldade em Sua tão perfeita natureza);

02 – O pecado original é responsável pela morte – física e espiritual – de todos os indivíduos. É em Adão (e por sua causa) que os seres humanos são concebidos em pecado.

As consequências materiais do pecado

Toda decisão possui consequências, certo? E o pecado também é uma decisão, logo traz consequências e, assim, quem peca é o único responsável dele. Mas como vimos, as consequências que são oriundas de qualquer atividade pecaminosa não são tão somente de caráter espiritual, mas também físico.

Voltando ao exemplo de Peter Russo, a sua decisão em jogar a toalha com a desconhecida acabou destruindo totalmente a sua campanha e a sua reputação política. A confiança nele foi perdida, desacreditada.

Falando de Eva e Adão, Gn. 03:14-19 apresenta a lista de conseqüências materiais do primeiro pecado que foi cometido aqui dentro do planeta Terra: a hierarquia familiar, as dores de parto, a provisão pelo suor do rosto, a subjugação feminina, etc.

Outro exemplo bíblico em que isto ocorre é o relacionamento ilícito, portanto pecaminoso, entre Davi e Bate-Seba. O filho desta relação acabou-se perdendo na idolatria e na prostituição, os outros foram protagonistas de eventos que destruíram uma família inteira. Davi nunca mais teve paz.

Uma coisa é o perdão de Deus aos pecados (1Jo. 01 e 02), outra coisa bem diferente são as consequências materiais do pecado. Não é porque Deus perdoou pecados que ele vai intervir no que acontece  que são oriundos do erro.

Assim sendo, os pecados, além de consequências espirituais, trazem consequências de ordem materiais. Uma mentira tem conseqüências, um roubo tem conseqüências, um adultério tem consequências, promiscuidade sexual tem consequências, injustiça tem consequências, engano tem consequências, matar tem consequências, embriaguez tem conseqüências, ódio tem consequências, inveja tem consequências, ciúme doentio tem consequências e todos os pecados que vierem em sua mente tem consequências dentro das mais diversas situações as quais eles estão. Apesar de não pensarmos nisto dentro da luxúria pecaminosa, as consequências de nossos atos existem e são relacionados às decisões, assim sendo a inconsequência é completamente irracional. Eis o erro de Peter Russo, de Eva e Adão e o nosso muitas vezes.

Conclusão

Como é possível perceber, uma série sem nenhum vínculo com o real Cristianismo consegue trazer importantes reflexões para a vida cristã, revelando, assim, que instantes gastos  contemplando uma grandiosa série não é tempo perdido. Mais além, pode-se notar também a intervenção divina em ensinar à todas as suas criaturas a Sua vontade com os meios que lhe convêm sem se importar com a religiosidade dualista que foi, infelizmente, construída.

Que sempre possamos nos lembrar do exemplo dado pelo fictício Peter Russo e do ensino bíblico acerca do pecado e suas consequências espirituais e materiais em nossas vidas. Que em tudo guardemos a fé com perseverança e violência renúncia vivendo a santidade da genuína regeneração bíblica e também inteiramente cristã. Deus nos ajude no dia a dia!

 

“Ora, àquele que é poderoso para vos guardar  de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante de Sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as era e agora e por todos os séculos. Amém!”

Jd. vs. 24,25.


Observação 1 : eu vi o episódio de House of Cards que é citado aqui exatamente um dia antes (sábado) de um sermão sobre o pecado na comunidade cristã onde eu me congrego, tornando a interpretação acima ainda muito mais evidente. 🙂

Observação 2 : caso você não conheça a série e, por algum motivo, não pode assinar a Netflix, baixe gratuitamente a primeira temporada de #HoC dublada com o episódio que deu origem ao presente texto aqui. 

Observação 3: o presente texto foi publicado inicialmente no blog #MQD – Mais que Domingo

 

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