No primeiro momento você pode pensar: “esse homem tá doido? Tá certo que tem algumas músicas seculares em que podemos ser edificados, mas essa? Ah, essa não!” Eu te entendo. Se eu te contar que eu também tinha a mesma opinião há umas duas semanas atrás. Acreditaria? Hoje eu tenho uma série de textos sobre essa música. “Poetas no Topo” é uma chyper e para quem não está familiarizado com a linguagem do rap, explico: chyper é como se fosse uma união de vários cantores cantando uma mesma música que no caso do rap são os MCs. Às vezes com um tema central e outras com o estilo livre. “Poetas no Topo” foi organizado pela marca Pineaple e já tem a parte 2 e em breve sairá a parte 3 (que já pode ter ido ao ar quando esse texto for publicado). Como um rap são várias linhas de pura poesia, teremos uma série de textos aqui analisando as partes dos rappers que têm grande relevância para o nosso diálogo com as Escrituras.

Aviso que não é minha intenção ficar “enxendo linguiça” com essa série de vários textos. A prova cabal disso é que não irei analisar a parte de todos os rappers que rimam nas duas músicas, até porque nem todos têm relevância para a nossa edificação espiritual. Minha oração é para que sejamos incomodados com essas poesias urbanas. E como este é um texto introdutório irei pontuar duas questões essenciais para quem pretende acompanhar essa série de textos:

Palavrões: são poucos que tem na música, a maioria são palavras que indicam perversidade e iremos evitar na análise caso esteja no meio de alguma linha que iremos refletir.

Análises: todas as análises serão a luz da Bíblia. Não irei analisar todas as partes da música, pois como já pontuei, nem todas as partes nos servem como edificação, mas garanto que iremos ver uma boa parte das rimas. Outro ponto que preciso deixar claro é que tudo que será escrito aqui é uma apenas uma perspectiva diante das várias que essa música passa. Basta uma pesquisa rápida no YouTube e você vai ver várias análises da mesma, a minha é só mais uma e creio que a primeira a luz do evangelho.

Tudo certo? Prossigamos. O primeiro verso que iremos analisar é o do rapper Makalister que começa com o intrigante verso:

“O reflexo vira matéria, atinge a idade Da invisível grade a porta só abre por fora”

Acreditem: esse primeiro verso (“o reflexo vira matéria”) virou até nome de página de zueira. O cuidado do Makalister nessa lírica me incomoda, no bom sentido é claro. Ele abre a faixa dando significado à mesma: reflexo (poetas) vira matéria (topo). E aí fica o questionamento: que diacho significa isso? Se eu disser que sei o significado estarei mentindo. Mas como já foi dito, estou fazendo uma análise.

[Quem não gosta de coisas prolixas comecem desistindo de ler aqui.]

Na física o fenômeno da reflexão consiste na mudança da direção de propagação da energia. Baseia-se no retorno da energia incidente em direção à região de onde ela é oriunda, após entrar em contato com uma superfície refletora. Ou seja, a lei da reflexão afirma que durante a reflexão especular o ângulo em que a onda é incidente sobre a superfície é igual ao ângulo a que é refletida. Por exemplo: espelhos exibem reflexão especular. Neste caso, a reflexão é um fenômeno que pode se dar por um caráter eletromagnético ou mecânico. Reflexo é observado com muitos tipos de onda eletromagnética, para além da luz visível. Reflexão de frequências mais altas é importante para a transmissão de rádio e de radar. Mesmo os raios-X e raios gama podem ser refletidos em ângulos rasos com espelhos especiais. O primeiro a formular uma explicação para a reflexão (especificamente a da luz) foi Heron de Alexandria, utilizando-se do princípio aristotélico que diz que a natureza nada faz de modo mais difícil, argumentou que a luz percorre o menor caminho entre dois pontos quaisquer. Então, se a luz é obrigada a desviar-se durante o percurso, mesmo assim percorre o menor caminho entre a fonte e o alvo. (Detalhes curiosamente extraídos do Wikipédia com algumas modificações minhas).

E o que isso significa? Que para o reflexo virar matéria precisaríamos de um milagre? Quase isso. Mas quando se trata de poesia, automaticamente a metáfora toma o trono da escrita. Ao meu entender o Makalister está querendo falar de algo muito mais simples de entender do que nós realmente queremos entender: atitude. Uma coisa é eu ser obediente aos meus pais, outra absurdamente diferente é fazer dessa obediência algo que some no meu caráter como cidadão. Uma coisa é eu sentar para ouvir as histórias do meu pai, outra bem diferente é extrair o que há de bom naquilo e usar ao meu favor. Ser cristão vai além de saber que Jesus morreu por nós numa cruz e que nos ama (reflexo), eu preciso viver segundo essa verdade e anunciá-lo a quem eu amo a fim de edificar mais vidas como a minha foi outrora (matéria). Observe que eu ainda não citei nenhum texto bíblico.

(Ainda…) “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos que estão na casa” (Mateus 5:14-15 Bíblia versão “Almeida Atualizada”).

E o que “luz” significa? Rápida definição: Radiação eletromagnética que tem a capacidade de se propagar através do vácuo, e que é percebida pelo olho humano. Luz do mundo significa ser matéria. Pegou a visão? Makalister em curtas palavras está parafraseando Jesus cara! É uma viagem pra quem achava que esse verso estava ali do nada. E essa minha interpretação fará mais sentido no próximo verso que segue a música: “atinge a idade / da invisível grade a porta só abre por fora / são noites de Cabíria, sob o céu do enigma”. Traduzindo: Makalister quis fazer a gente pensar. Posso ouvir um ‘’glória a Deus’’? Vamos fazer um resumo de tudo isso que você leu (ou passou o olho nas partes principais): o reflexo virar matéria significa a fé na prática. Sabe o que é fé? Rápida definição: Fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem (Hebreus 11:1, Bíblia versão “Almeida Atualizada”). A fé cristã é um reflexo de um amor incondicional e imensurável de um Deus gracioso e que só pode ser vista, crida e causar efeitos na vida de alguém quando a usamos com fervor. Quando saímos da zona de conforto e quebramos a “invisível grade” e abrimos a porta que só “abre por fora”, porque a propagação do evangelho é algo que clareia, é luz, manifestação de graça.

 Continuando… “Cansados de só ver navios / Nas areias do templo, no sinal vermelho / O pára-brisa reflete, como posso me esconder de mim mesmo?”

Esse primeiro verso me faz lembrar rapidamente do navio Titanic que até hoje é conhecido como o maior naufrágio do mundo. E ele faz uma metáfora legal que eu entendo sendo de pessoas (navios) se afogando em seu próprio ego (areias do templo). Certo que essa pode não ser a análise mais correta desse trecho, mas pensemos assim enquanto lemos essa fala de Jesus: “Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim” (Mateus 15:8 Bíblia versão “Almeida Atualizada”).

O pára-brisa (Palavra) reflete. Como eu posso me esconder de mim mesmo (minha hipocrisia)? Makalister quer que pensemos sobre isso. Ok, ele nem é cristão. Mas Deus deu algo a todos e isso faz parte da sua graça comum que se chama cosmovisão. Em outras palavras, são os óculos pelos quais eu enxergo o mundo. E a minha cosmovisão só me deixa ver um Makalister que rima como um pregador da verdade para incomodar nossa fragilidade na pregação. Somos pessoas egoístas que não queremos refletir a mensagem da cruz, pois a mesma incomoda o mundo. E por isso usamos de desculpas, palavras enxutas, técnicas para encher a igreja etc. Não queremos ser luz que clareiam a palavra, queremos que a palavra seja luz para nós. Parafraseando o J. I. Packer, holofotes não podem iluminar a si mesmo. Somos holofotes de Cristo então o nosso dever é sempre clarear quem deve aparecer. Quando Jesus nos disse que somos luz do mundo ele não quis dizer que éramos astros como foi Michael Jackson, nem celebridades como Leonardo DiCaprio, ele quis dizer que como luz deveríamos clarear o que é importante: a palavra. Minha oração é para que a luz que existe em nós vire matéria, ou seja, que possamos ir além de palavras e postura de crente e agirmos com piedade e atitude de Cristo.

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