Estamos chegando ao fim de Bates Motel, série que retrata como um prólogo, a vida de Norma e Norman Bates antes dos eventos abordados no filme Psicose, de Alfred Hitchcock. A cada temporada vamos conhecendo melhor os personagens e seus relacionamentos.

Norman, à primeira vista, não passa de um adolescente comum e simpático. Contudo, ele apresenta uma patologia chamada Transtorno Dissociativo de Identidade, ou Dupla Identidade. Em situações difíceis, nas quais ele não consegue lidar, sua outra personalidade assume o controle enquanto ele permanece num estado de ‘’apagão’’. Acontece que esta é a figura da sua mãe. Você deve imaginar a confusão que é a cabeça do rapaz, principalmente porque (como se não bastasse) ele também tem alucinações com a mesma. Em resumo, de uma forma ou de outra, Norma tem total controle sobre o filho. A mãe, por sua vez, sabe que seu filho sofre de algo, mas evita buscar tratamento, para protegê-lo.

Em meio a tantos conflitos, eu sempre me questionei se podia ver na série algo a mais, algo que se relacionasse com a fé no Evangelho. ‘’Impossível’’, talvez você pense. Será? Jesus me mostrou que não.

Primeiramente, devo informar que a família é uma das formas de Deus revelar-se aqui na Terra. No caso da família Bates, o pai do Norman maltratava a esposa na frente do filho pequeno. Obviamente, não havia nesse lar, relacionamento com Deus e todo o desajuste do menino surge em meio a esse ambiente. Não quero dizer com isso que os lares cristãos são perfeitos, longe disso.

Após a morte do pai, mãe e filho vão para outra cidade recomeçar. A relação deles se estreita. Todos os eventos que acontecem a partir daí contribuem para a piora do Norman. Frequentemente vemos Norma dizer que ambos são um só. Esses dias assistindo ao 6×05, me deparei com a mesma frase, mais elaborada: ‘’somos duas partes de uma mesma pessoa, ambas bem reais. ’’

Leia esse trecho da oração de Jesus registrada em Jo 17:21-23 (os grifos são meus):

 “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um.
Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim.’’

Pai e Filho (e Espírito) têm um relacionamento que nossa mente não compreende muito bem. Jesus é um excelente exemplo de alguém que é ‘’a cara do pai’’ (Jo 14:9-11). Há muita liberdade, intimidade e unidade entre eles e tudo funciona perfeitamente bem. O que mais me chama atenção desde sempre é que eles decidiram (em comum acordo, pois fazem tudo assim) que abririam espaço para nós participarmos da família também. Como isso? Aqui mesmo, na nossa vida cotidiana, podemos nos relacionar com nosso pai e irmão mais velho em todos os lugares e momentos. Como? Através de nossos relacionamentos com os outros ao nosso redor também. Tudo isso por enquanto. Um dia nós estaremos juntos vivendo esse relacionamento de maneira plena.

Tudo que eu disse é verdade e é muito bonito. Mas se olharmos para Norman e Norma isso não se encaixa. Eles têm um relacionamento íntimo e se consideram um só (até os nomes se parecem!). Norman criou sua segunda personalidade a partir da pessoa que ele mais ama e confia e esta garante existir apenas para cuidar dele. Deveria ser um relacionamento bonito, mas é frágil, confuso, problemático e destrutivo para ambos. A mãe protege o filho e o filho sufoca a mãe. Só para termos uma ideia, Norma tem outro filho, Dylan, que nunca sentiu o que era ser amado de verdade pela mãe, graças seu amor excessivo ao filho mais novo.

O que quero que você entenda é que o relacionamento que Jesus nos convida para ter com ele não é como o que conhecemos em Bates Motel. Com Ele, unidade não quer dizer ser igual em tudo, ou ser duas partes de uma mesma pessoa onde um controla o outro o levando a agir inconscientemente, mas ter o mesmo foco. Ele é nosso Pai e cuida de nós em todos os momentos, não do jeito Norma Bates, que nos adoece, mas do jeito Jesus Cristo, que se sacrifica em nosso lugar para que encontremos nele cura e liberdade.

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Um comentário em “Norma e Norman Bates: sobre unidade e relacionamento com o Pai

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