Chegamos à parte II da chypher Poetas no Topo e pulamos muitos MCs (vocês já sabem o motivo). E neste texto eu proponho analisar a parte do Froid que chega até ser um pouco cômica, pois o artista fala de si mesmo na terceira pessoa. Minha ideia é que a gente reflita um pouco sobre o olhar que as pessoas têm ao nosso respeito e como isso afeta o nosso relacionamento com Deus. E aqui encontramos o primeiro palavrão que vou substituir por “fera” que terá a mesma conotação e não perderá o sentido da música. Vamos à letra:

“Froid você é fera cara/ Queria uma foto nossa/ Te acompanho das batalhas/ Sua levada é venenosa”

Froid é um MC famoso no meio do rap. Ele é um dos grandes nomes dessa nova safra de rappers do Brasil. Ficou conhecido pelas batalhas de MCs que para quem não conhece, são competições entre dois rappers que disputam entre si para ganhar um ao outro com rimas. Mas o Froid é diferenciado. A começar pelo nome que é uma referência ao pai da psicanálise Sigmund Freud. Diferente dos outros, Froid não tem uma levada densa com aquele tom asperoso na voz quando canta. Ele é sutil. Seu flow (estilo de rimar) é leve e tem partes bem melódicas. É agradável aos ouvidos! Froid é muito bom no que faz e sinceramente eu te pergunto: quem não queria uma foto com esse cara?

Eu? Ah, eu também sou muito bom no que faço. Sou cantor, compositor, prego na minha comunidade, curso teologia, inclusive sou muito bom nesse assunto, um leitor nato e amo filosofia. Consigo escrever uma letra de música em dois minutos sem nenhum bloqueio criativo. Sou muito bom! Escrevo textos que fazem todo mundo pararem o que estão fazendo para ir ler. Sou um artista! Quem não queria uma foto comigo?

Froid nos faz pensar. E aqui já estabeleço uma conexão com o texto bíblico que narra o período que Jesus estava ingressando no seu ministério e seus irmãos – que aqui fica livre para interpretação se eram “irmãos” de sangue, que eu acho pouco provável, ou irmãos de pátria, amigos – queriam que ele mostrasse os milagres que fazia e as maravilhas que era capaz de fazer ao mundo.

“Depois disto andava Jesus pela Galiléia; pois não queria andar pela Judéia, porque os judeus procuravam matá-lo. Ora, estava próxima a festa dos judeus, a dos tabernáculos. Disseram-lhe, então, seus irmãos: Retira-te daqui e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque ninguém faz coisa alguma em oculto, quando procura ser conhecido. Já que fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. Pois nem seus irmãos criam nele. Disse-lhes, então, Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo; mas o vosso tempo sempre está presente. O mundo não vos pode odiar; mas ele me odeia a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más. Subi vós à festa; eu não subo ainda a esta festa, porque ainda não é chegado o meu tempo. E, havendo-lhes dito isto, ficou na Galiléia. Mas quando seus irmãos já tinham subido à festa, então subiu ele também, não publicamente, mas como em secreto.” (João 7:1-10 | Bíblia versão “Almeida Atualizada”)

Jesus também era muito bom. Falavam muito bem dele, mas diferente de nós Jesus não tinha ego inflamado como nós temos. Ele não se sente melhor ou pior com o que os outros falam. Isso deveria nos fazer pensar sobre três aspectos importantes de nossa convivência com os demais irmãos.

  1. FAZER O CERTO ESPERANDO RECOMPENSAS É DESMOTIVADOR. Muitas pessoas pensam que o que deve motivar uma pessoa a fazer o certo, são as coisas que ela irá receber como consequência. Exemplo: se eu lavar a louça minha mãe deixará eu jogar videogame; se eu chegar sempre no horário meu chefe me dará aumento; se eu fizer tudo certo para o meu esposo, com certeza ele vai me dá o cartão de crédito pra eu estourar com as amigas. Isso não nos motiva, mas sim faz o contrário. E por quê? Porque não estamos fazendo o certo para que o outro se sinta bem e nem que ele fique feliz com o nosso desempenho e sim para satisfazer nossas vontades. O que há de motivador nisso? Nada. Pois o que é motivador não busca retornos a um custo simples onde quaisquer pessoas poderiam ter feito em meu lugar. Motivação é quando eu sou impulsionado a fazer algo onde muitos fracassaram e através desta, alcance conquistas que farão bem para um todo e não somente como benefício próprio.

 

  1. SER PAPARICADO POR TODOS REVELA UMA FALHA NOSSA. ”Mas, como assim Jhonata? Você está pirando!” Não. Juro que isso fará mais sentido quando você o texto abaixo. “Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos que dormem. Mas, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados; quando, porém, somos julgados pelo Senhor, somos corrigidos, para não sermos condenados com o mundo.” (I Coríntios 11:29-32 | Bíblia versão “Almeida Atualizada”).

Deixe-me situá-lo. O apóstolo Paulo escreve isso no contexto de Santa ceia onde, na época, alguns crentes tinham o costume de ceiar na frente dos outros e se embebedar com o vinho – o que quebra essencialmente o propósito da ceia que é comunhão com os irmãos e prova que o vinho naquela época continha álcool sim, mas isso é assunto para outro texto. Paulo está dizendo para julgar a nós mesmos. E essa palavra “julgar” não está escrita em um contexto de condenação e sim de avaliação. Avaliar a forma que temos agido com os nossos irmãos e porque somos tão elogiáveis, faz com que evitemos um erro perigoso: orgulho. O orgulho é um pecado brando que nos consome aos poucos: começa com um “eu sou bom” e evolui para um “não há ninguém melhor que eu”. Cuidado! Não é errado falarem bem de nós, o erro está quando tudo que fazemos, até mesmo quando erramos, é relativa positivo. Nós erramos e como qualquer outra pessoa quando erra, precisamos ser confrontadas, corrigidas, perceber que erramos e consertar.

  1. TER PESSOAS QUE NOS ADMIRAM É BOM, MAS ELAS TAMBÉM DEVEM NOS COBRAR. E essa cobrança não deve ser para nos fazer ser cada vez melhor e sim humilde. A humildade não pede holofotes, pede calmaria. A humildade ama paz enquanto o orgulho nos aprisiona em um mundo egoísta. Poetas no topo não fala simplesmente de MCs com uma habilidade muito legal de passar uma mensagem através de rimas, mas fala de pessoas que estão lá, no seu canto, da sua forma, fazendo arte por um bem maior do que fama e dinheiro. Froid não fala de si mesmo na terceira pessoa para mostrar o quanto ele bom, mas para nos mostrar que mesmo ele sendo tudo isso que falam dele, ele reconhece que isso apenas isso: percepção dos outros. Ele é muito mais do que isso. Ele tem complexidades, defeitos, limitações. Que essa mensagem nos transforme em pessoas mais sensatas. Que cheguemos ao topo, mas humilde e rendendo louvor ao único digno de nossa adoração: Cristo!
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Um comentário em “O que pensam de você? (Uma reflexão sobre Poetas no Topo)

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