Certa vez o meu irmão postou uma fotografia no Facebook de uma celebração que aconteceu aqui dentro da comunidade de fé que nós e todo o restante da família aqui frequentamos. Como legenda, ele pôs algo relacionado a “não ser deste mundo”. Dias depois ele foi questionado por um antigo professor a respeito da afirmação. O meu irmão quis dizer com a sua colocação que ele, assim como todo verdadeiro cristão, não é submisso ao pecado e todos os seus tentáculos que atingem toda a natureza humana, pois sobre ele o pecado não tem mais domínio. E tal explicação ele deu ao professor. Como a Bíblia Sagrada claramente nos afirma que todas as questões espirituais somente são discernidas exclusivamente pelos indivíduos genuinamente espirituais, o sujeito não compreendeu de maneira alguma a resposta que lhe foi entregue pelo meu tão saudoso irmão. Contudo, as perguntas que foram realizadas por aquele professor são bastante interessantes: “Como assim você não é desse mundo?” “Quer dizer que você está aqui no mundo, caminha no mundo, mas não é do mundo?” “Você está no mundo e não é do mundo?” “Você é algum tipo de alienígena?” – Risos – Para nós, os questionamentos podem ser cômicos e idiotas, mas, na verdade, eles revelam uma gravíssima crise que nós temos enfrentado aqui dentro do evangelicalismo nacional: eu estou falando exatamente aqui da questão de como nós, cristãs e cristãos, temos nos relacionado com o MUNDO.

Pode parecer até mesmo bastante absurdo (e talvez seja mesmo), mas ainda hoje existem cristãs e cristãos que se fecham a tal ponto que chegam até mesmo a gritarem aos quatro ventos que o crente não deve, de maneira alguma, consumir o que é de origem não cristã. Assim sendo – dizem eles – nada de filmes não gospel, música não religiosa ou confessional… Artes? Nem em pensamento! Séries e praticamente todo tipo de produto sociocultural e também artístico ficam a quilômetros de distância das filhas e também filhos de Deus.

Como é possível perceber facilmente, tal discurso é extremamente frágil, hipócrita, incoerente, incorreto, equivocado, estúpido e finalmente, completa e também plenamente absurdo. Não existem motivos verdadeiramente sensatos e coerentes para defender isto. Não existe este tipo de proibição dentro dos Santíssimos Escritos (Na verdade, na verdade, o Cristianismo não é uma religião que é construída em “pode e não pode”, mas bem contrariamente, o Cristianismo é uma grande religião que é construída por sólidos princípios – e isto muda tudo! Tudo mesmo!). Tais ideias tão somente contribuem para uma formação altamente religiosa, farisaica, legalista, que gera sentimentos de superioridade e vaidade entre os irmãos ao invés da profunda e também verdadeira humildade cristã. Portanto, é pecado.

Veja bem: como pode uma cristã ou cristão abster-se completamente da cultura sendo que ela ou ele obrigatoriamente consume, come, veste, ler e faz utilização de todo o conjunto de produtos que são frutos de pessoas não cristãs? Que incoerência gigantesca!

Não é a proposta aqui de o texto responder as ideias acima citadas, mas eu quero deixar algumas importantes provocações para um estudo maior do assunto que aqui é proposto.

Quando nós nos distanciamos futilmente da cultura geral, nós perdemos grandes oportunidades para:

  1. Sermos sensíveis para localizar os valores do Reino de Deus onde eles têm se manifestado soberanamente. Perdem-se precisos e também valiosos momentos para glorificar a Deus pelo potencial criativo e bom que Dele só pode vir, pois “toda a boa dádiva e todo dom perfeito só podem vir do Alto.” (Tg. 01:17). Agradecer ao Todo Soberano por toda a beleza a nós é manifesta aqui.
  2. Sermos relevantes, construirmos coisas boas, justas, puras, virtuosas, amorosas, de boa fé, coisas úteis, verdadeiras. Mostrarmos publicamente toda a beleza e também verdade que existem na verdadeira fé cristã, que infelizmente, é tão estigmatizada. É horas de nos fazermos indispensáveis, diferentes, sermos criativos, participativos, úteis.
  3. Evangelizar: abandonarmos um pouco (um pouco) o “evangeliquês” nosso de cada dia e anunciarmos a verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo que é exatamente a verdadeira Salvação para todo aquele que nele crer (Rm. 01:16). Nós estamos no momento de anunciar a Palavra de maneira criativa, culturalmente visível e aceitável, compreensível, transformadora, com os meios que o próprio Deus nos dá, sem nenhum preconceito tolo.

Já passou da hora de nos unir à cultura para a glória e louvor do Eterno e também para o levantamento de Seu nome no meio de Sua tão perfeita criação. Já é o tempo de abrir as nossas mentes para nos relacionar corretamente com a cultura, unir aquilo que nós mesmos, de maneira tão equivocada, outrora separamos. É o instante correto de nós, cristãs e cristãos, nós envolvermos culturalmente de forma dinâmica, participativa, abrangente e finalmente, relacional.

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