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Black Mirror é uma série britânica que iniciou em 2011 e virou febre aqui no Brasil ano passado. Comecei a assistir sem saber o que esperar e a cada episódio fui surpreendida e confrontada. Qual o tema da série? É uma ficção científica com episódios independentes onde a protagonista é a tecnologia e as conseqüências boas e ruins que esta trouxe a nossa sociedade.

Quando questionado acerca do título, Charlie Brooker, autor da série, respondeu que “se a tecnologia é uma droga – e parece mesmo ser uma – então quais são precisamente os efeitos colaterais? Este espaço – entre apreciação e desconforto – é onde Black Mirror, minha nova série de televisão, está localizada. O ‘espelho negro’ do título é um que você encontrará em todas as paredes, em todas as mesas, na palma de toda mão: a fria e brilhante tela de uma TV, um monitor ou um smartphone”.

De fato, as críticas da série nos colocam para pensar e foi por pensar em muita coisa que resolvi compartilhar aqui com vocês. Vou falar da série como um todo, mas queria focar em dois episódios: Fifteen Million Merits (1×02) e Nosedive (3×01). O primeiro mostra uma sociedade futurista onde o pessoal passa os dias pedalando numa bicicleta como forma de conseguir milhas para comprar todo o tipo de coisas virtuais que desejar.

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Bing, o personagem principal, desde o começo parece um cara fora daquela realidade. Ao perder sua amiga para uma armadilha dentro de um programa de TV ele começa a lutar para enfrentar o sistema e trazer algo que desperte as pessoas para a vida robotizada que têm levado. Seu discurso é forte, é como uma luz brilhando na escuridão, e me faz lembrar cada profeta do velho testamento, com suas mensagens de despertamento e arrependimento. Entretanto, quando acreditamos que as palavras de Bing causarão uma revolução, vemos que todos se sentiram impactados, mas não por muito tempo, pois suas mentes já estão fechadas tudo que não faça parte do sistema. Um dos jurados do programa age como se todo aquilo fosse apenas mais uma atuação bem feita.

Jurado: ‘’Sabe, eu sei de onde você vem. Gosto de suas coisas’’

Bing: ‘’Não são coisas, são verdades’’

Jurado: ‘’Suas verdades, mas admito, são verdades. E está certo, autenticidade está em falta.’’

O primeiro episódio da terceira temporada, também mostra uma sociedade futurista, onde as pessoas são avaliadas pelos posts que fazem e dependem da sua popularidade nas redes sociais para absolutamente tudo. Quanto mais as pessoas conseguem manter-se com notas entre 4 e 5, mais populares são. A personagem principal, Lacie, é uma jovem normal em busca dos seus sonhos. Ela deseja comprar uma casa, mas seus 4.2 não são suficientes para a compra, ela precisa ser ainda mais popular. O convite de uma ex-colega para ser madrinha de seu casamento aparece como a grande chance de alavancar as coisas para Lacie. No entanto, o que parecia ser um caminho de sucesso, se mostra como um daqueles dias em que tudo dá errado. Nesse episódio, dois personagens chamam minha atenção: Ryan, irmão de Lacie, e Susan, uma caminhoneira solitária que a oferece ajuda.

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Ryan: ‘’Sinto falta da pessoa que você era antes dessa obsessão, quando até conversávamos, lembra? Essa coisa de avaliação, de ficar se comparando a pessoas que fingem ser felizes. Aposto que por dentro, pessoas como a Naomi, querem se matar.’’

Susan: Você é parecida comigo. Não agora. Eu já tive 4.6. Eu vivia para isso, me esforçava tanto. Há 8 anos,Tom, meu marido teve câncer (…), eu dava 5 estrelas para todos os médicos, enfermeiras e especialistas com notas altas. Dava nota alta, agradecia. O câncer (…) continuou crescendo. Alguns meses depois ouvimos falar de um tratamento experimental. Era muito caro e exclusivo. Eu fiz tudo o que pude para conseguir uma vaga para ele. O Tom tinha 4.3. Deram o lugar dele para um cara com 4.4. Quando ele morreu (…) passei a dizer o que queria e quando queria. Não estava nem aí. As pessoas não gostam disso. É incrível como tudo vai por água abaixo tão rápido quando se age assim. No fim das contas, muitos dos meus amigos não gostavam de sinceridade, (…) mas foi muito bom me livrar deles. Foi como tirar sapatos apertados. Que tal tentar?’’

Susan e Ryan são parecidos com Bing, por não se conformarem com a realidade em que vivem. E por isso, tomo a liberdade de compará-los a nós cristãos, dando maior destaque para a primeira, uma vez que esta foi realmente liberta. A popularidade não lhe faz falta e as adversidades que sofreu não a transformaram numa pessoa amargurada. Ela agora tem a capacidade de olhar para seu próximo, independente das notas e rótulos e ajudá-lo e sem esperar algo em troca.

Relacionamentos superficiais e de aparências, satisfação na desgraça do outro, tentativas de preencher nosso vazio com algo que não é real, incapacidade de ver o outro como nosso próximo e semelhante, desejo pela eternidade… Tudo isso e mais um pouco é abordado nos outros episódios de Black Mirror. Apesar de futurista, a série traz elementos muito atuais. Já vivemos tudo isso hoje, agora mesmo. Paulo nos diz que não devemos nos conformar com esse mundo e que devemos renovar nossa mente (Rm 12:2). Vejo esse versículo claramente por trás de cada fala dos três personagens que citei no parágrafo anterior. A questão válida é refletir se estamos agindo como todo mundo ou se fazemos alguma diferença. Será que não temos nos deixado engolir pelo sistema também? E, por fim, com quem estamos querendo nos parecer, com o Nazareno de 33 anos, nosso libertador, ou com um sistema que nos aprisiona?

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