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Chegamos a parte 3.1 da chypher Poetas no Topo e confesso ao caro leitor que eu estava muito ansioso para fazer a análise dessa música. Quem começa cantando é o Pedro Qualy, integrante do grupo Haikass, que fez uma brilhante introdução e abriu caminho para os demais MCs que pretendo analisar nos próximos textos. Vamos à letra:

“Tô achando que isso aqui não é comum / Me disseram que era déficit de atenção / Tão querendo me curar com homeopatia / Tudo que eu encosto vira canção”

Homeopatia é um sistema da medicina que envolve o tratamento do indivíduo com substâncias altamente diluídas, principalmente na forma de comprimidos, com o objetivo de desencadear o sistema natural do corpo de cura. Esse é o ponto interessante da música: curar algo sentimental com algo que só serve pra matéria, é inútil. Encararemos “curar” com entender. Entender o sentimento do Qualy nessa música com uma visão materialista, ou melhor, dizendo, analisando através de uma ótica de mercado, será inútil. As linhas do autor retratam algo bem parecido com o evangelho: o testemunho.

Qualy conta sua experiência no rap e suas principais referências. Como cristãos, contamos nossas experiências aos recém-convertidos e nossas referências. É inútil querermos nos apropriar de uma interpretação bíblica sem tentar compreender o autor do texto. Com a música funciona do mesmo jeito: a mente do compositor é um livro aberto, mas que não dá pra entender se lermos uma página qualquer fora do contexto. “Tudo que eu encosto vira canção”. Como reconhecer um salvo em Cristo? Pelos frutos que o mesmo dá. Um salvo é reconhecido pela devoção a Deus que demonstra em tudo o que faz. Tudo que nós fazemos deve ser para glorificar a Deus (I Coríntios 10:31).

“E nessa vida eu não vou ser o heroi / Eu não quero ser o herói cheio de vício / Não vai da pra ser verdadeiro na rima / e ao mesmo tempo responsável pelo o que eu cativo”

O que podemos esperar de um heroi? Na verdade, o que um herói faz para ser chamado de heroi? Provavelmente a resposta mais sensata seria “salva vidas”. Mas tenho outra resposta mais interessante: um herói renuncia sua própria vida. Eu só conheço um heroi que fez isso com perfeição: Cristo. Os herois que comumente nos são apresentados como “super” tem poderes. Eles voam, mudam prédios de lugar, têm força incrível, param um trem, destroem inimigos ferozes e fazem tudo isso porque foram sorteados por sabe lá quem para receber tal poder.

É legal observamos isso com a história do Flash que tem uma série super bacana que está em sua terceira temporada. Ele recebeu seus poderes após um experimento tecnológico que deu errado e explodiu partículas eletromagnéticas capazes de desenvolver poderes sobre humanos para as pessoas. Barry Allen (Flash) estava vivendo sua vida monótona e rotineira até a coisa toda acontecer e ele ser atingido pelo raio que lhe daria o poder de correr mais rápido que um leopardo.

O que isso tem a ver com a música e o evangelho? Tudo. Nós, vivendo nossas vidas monótonas e rotineiras, fomos atingidos pela graça de um Deus inexplicável e agora enxergamos o que as pessoas comuns não vêem e tudo isso foi de graça. E sabe o que é mais interessante? Isso não faz de nós herois e sim pessoas gratas. Barry Allen não quis ser heroi, ele se sentiu grato por ter recebido poderes e por isso ajuda pessoas e tenta salvar sua cidade de todo o mal que a cerca. Isso é uma boa forma de entender a doutrina da predestinação. Barry Allen pediu para ter poderes? Não. Nós pedimos para ser salvos? Não. Barry Allen se esforçou para ter poderes? Não. Nós nos esforçamos para ser salvos? Não. Barry Allen faz o bem porque é grato e reconheceu que seu poder não foi lhe dado a toa. Nós fazemos o bem porque somos gratos pela salvação que Deus nos concedeu e ele nos salvou porque nos amou e não podemos ignorar esse amor.

Em suma, é como Lutero disse: ‘’Não é o caminho que você escolhe, é o caminho que é escolhido para você contra sua escolha’’. Quando Qualy  diz que não quer “ser o heroi cheio de vício”, está nos dizendo uma verdade muito importante: não dá pra querer ser o heroi nessa vida, pois temos muitos vícios (pecados). Existe uma linguagem poética que eu muito admiro que é a de “exterminar demônios” e nós temos muitos “demônios” dentro de nós, ou seja, coisas ruins. A graça nos livra de sermos heróis de nós mesmos, destrói o ego que insiste em nos levar pra extremidade da auto-suficiência, exclui a necessidade que tenho de pensar somente em mim.

Não vai dar para ser verdadeiro nessa vida bancando o heroi, pois estes sempre mentem sua identidade. Eles precisam se dobrar para dar atenção à todas as coisas que dependem dele. Nós temos dificuldades para lidar com isso. O melhor é nos entregarmos àquele que veio ao mundo como homem, sendo Deus, mas deixou o mundo sendo heroi, salvando a humanidade de um abismo terrível chamado inferno. Gratidão!

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