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Fica difícil falar de igreja e não pensar logo em um templo com uma placa bem grande na frente dizendo “Igreja Evangélica Fulano de Tal”. O ruim é que isso deixa de ser algo meramente representativo e vira um problema prático em nossas vidas. Acreditem: quem vos escreve não é alguém desigrejado e sim alguém que está a três anos servindo a Deus em comunidade fora dos templos. Desigrejado não é um cristão autêntico. Ele acha que pode ser cristão sozinho no conforto de sua casa sendo alimentado somente pela Internet. E o amor mútuo (Rm 12:10), a ceia (Lc 22:19), o ensino da palavra (I Tm 4:16)? Não. Não consigo perceber um desigrejado como um cristão de fato. Mas por outro lado eu também vejo dificuldade em perceber uma vida cristã autêntica em alguém que apenas “cumpre agendas de culto”.

Cumprir ordenanças bíblicas, como ceia e batismo, é consideravelmente muito fácil, porém não é suficiente. Cristo quer que sejamos seus imitadores e ser imitador de Cristo vai muito além do que cumprir agenda de culto. Passamos a frequentar um local e deixamos de nos reunir de fato. Inocentes pessoas que pensam que “congregar” é ir a algum lugar. Congregar é reunir-se. Estar junto e isso nem sempre é o que vemos nas igrejas locais. Falo isso em um contexto bem particular: meus amigos que são crentes e tem uma rotina de culto, sentem-se muitas vezes sobrecarregados e acabam deixando de jogar futebol, sair pra comer uma pizza e até mesmo passear com a namorada, pois precisam “bater o ponto” no culto de domingo.

Por favor, não me interpretem mal. Não estou dizendo que ter culto no domingo ou em qualquer outro dia na semana em um templo, com direito a banda, microfone, pastor e tudo é algo ruim. Não. Estou afirmando que muitas vezes esquecemos-nos do porque estamos indo aquele lugar. Por que você se arruma aos domingos e vai para a igreja? Para ouvir bênçãos? Saber das fofocas entre os irmãos, por que não tem nada mais legal para fazer? O culto precisa ser cristocêntrico. Cristo precisa ser o centro e nunca usado como manobra pra que eu cumpra um papel de “cristão” na sociedade. A vida cristã precisa refletir Cristo e óbvio que isso envolve a vida em conjunto – mas não só isso. Joseph C. Aldrich no livro “Amizade: a chave para evangelização” nos ensina muito acerca do compromisso bíblico de ter uma vida cristã em comunidade.

“Os cristãos ‘perseveravam na doutrina dos apóstolos’ (At 2:42). O membro da igreja deve ser uma pessoa em aprendizagem… permanecendo na doutrina dos apóstolos. Quando paramos de aprender, paramos de viver. Muitos morrem aos vinte anos de idade e são sepultados somente aos sessenta e cinco. A Palavra é a nossa lâmpada e a nossa luz. A Escritura registra que a fé vem pela pregação; e a pregação, pela palavra de Cristo. A Sua verdade precisa ser guardada em nosso coração (não apenas nos lóbulos frontais) e praticada em nossa vida (…) Muitos pastores acham que o propósito central e principal das suas igrejas é o de formar um instituto bíblico onde os apontamentos são transcritos de um caderno a outro. A doutrina torna-se o essencial, como se compreendê-la fosse um fim em si mesmo.” (Amizade: a chave para evangelização pág. 96, Ed. Vida Nova)

O aprendizado só é possível se tiver comprometimento com a obra de Deus. Mais do que ir a um lugar e se reunir com os irmãos, é andar segundo os princípios de Cristo e isso exige vivência. Você tem sido cristão no seu local de trabalho? Na faculdade? Em seu lazer? No seu casamento? Temo que cada dia mais a igreja local se torne um clube de pessoas bem resolvidas com sua vida financeira e o sucesso profissional, e assim chegaram a conclusão que precisam agradecer ao Senhor pelos feitos. Pessoas que não sabem o que é relacionamento de fato uns com os outros os suportando em amor e vivendo sendo um em Cristo. Temo que a igreja se torne um clube de pessoas querendo ser melhor que as outras e não amando uma as outras (Rm 13:8); sendo um lugar de muito euforismo e pouco acolhimento (Rm 15:7); um lugar de hierarquias e não de servir uns aos outros (Gl 5:13); um tribunal de julgamentos e não uma ajuda para carregar o fardo uns dos outros (Gl 6:2) e o mais temível: um lugar de pessoas que não aprenderam a perdoar (Cl 3:12-13).

Sabe o que fez afastar-me definitivamente das organizações religiosas? A falta de Cristo naqueles locais que passei. Existia muito euforismo, agenda, amigos, palestras motivacionais, mas o principal, Cristo, não tinha. E com isso, mais uma vez reforço, não estou dizendo que a vida cristã em uma organização seja errado, até porque precisamos viver organizados pois somos o corpo de Cristo, precisamos de um equilíbrio. Mas o que estou dizendo é que esse corpo precisa de cada membro bem alinhado e alimentado.

O fígado precisa que o rim e o coração estejam funcionando bem. Os dedos precisam que o pé esteja em ótimos estados para funcionar bem também. O corpo não pode viver sem um comprometimento de um com os outros. Seria muito fácil se o coração batesse por bater sem um motivo maior. A mesma coisa somos nós: cumprir agendas de cultos é fácil, mas precisamos de um motivo maior para cumprir essas agendas: Cristo. Viver segundo Ele é dá testemunho de santidade e isso envolve todas as esferas de nossas vidas. “Em vez de adorar”, diz Joseph C. Aldrich, “muitos líderes programam ‘o culto de adoração’ esperando que a arquitetura, os órgãos e as becas e vozes do coro criem um tremor emocional, quebrando o gelo espiritual.

De certa forma, parece que ‘’Deus está oculto entre os adereços’’ (pág. 101). O problema que pode haver em uma vida cristã dentro de uma instituição religiosa que tem reuniões semanais em um templo é a ausência do que igreja realmente significa. É a falta do servir uns aos outros e apenas a preocupação em ficar duas horas sentado numa cadeira ouvindo o sermão do pastor que preenche o meu currículo de cristão. E por que é tão difícil servir? “Talvez porque o seu aprendizado não está relacionado à vida, a sua comunhão é estéril e a sua adoração, falsa.” (pág. 102).

Onde trabalho tem algumas TV’s espalhadas ao nosso redor. Trabalho como telemarketing então os televisores não podem ter áudio, pois atrapalharão nosso atendimento, então assistimos os filmes e os jogos de futebol sem ouvir nada. O evangelho sem Cristo é como assistir a um filme sem áudio. Conseguimos ver tudo, entender a ordem das coisas, o enredo e talvez até entender o filme todo, mas não ouvimos nada. O evangelho não nos comunica nada se Cristo não estiver falando a nós. O evangelho não tem efeito em nosso entendimento se não conseguimos ouvi-lo falar ao nosso coração. Uma vida de ir a um templo duas ou três vezes por semana sem Cristo sendo o fio condutor, será um filme que conseguimos ver, tocar, entender, mas não transmitir ao mundo, pois não ouvimos nada do que Ele falou.

Temo que meus amigos que hoje “cumprem agenda” em seus ministérios de louvor e outros no ministério de ensino não tenham nada para comunicar ao mundo, pois tudo o que aprenderam foi usado meramente para ilustrar suas vidas de cidadãos evangélicos. Um nome para passar ao IBGE quando baterem em suas portas perguntando a religião. Temo que meus amigos estejam cada dia mais se distanciando de Deus e se aproximando do legalismo religioso. Temo que meus amigos não tenham compreendido até hoje a magnitude de uma vida com Deus regada à prática de renúncia de pecado, choro com os fracos na fé e comprometimento com as Escrituras. Até que ponto uma vida cristã é saudável dentro dos templos? Isso veremos na próxima semana.

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