Após eu terminar de concluir a série “O cristão e a Arte” aqui no blog Outro Ponto, eu vou voltar a fazer uma das coisas que eu mais gosto: procurar as Verdades Eternas na cultura, pois, assim como o grande Marcos Almeida, eu estou a procura de Deus nela e não do Diabo!

Hoje eu pretendo comentar um filme que eu vi ano passado e que é um dos meus favoritos. Trata-se da comédia romântica “Meu namorado é um zumbi” (2013), inspirada na obra “Sangue quente” do escritor Isaac Marion. Como o nome já nos indica, o longa nos mostra um romance improvável entre um morto vivo e uma mulher.

Tudo começa quando em um mundo pós-apocalíptico, afligido por um vírus que dizimou a grande maioria da humanidade transformando as pessoas em zumbis, a sociedade é dividida em dois grandes grupos: uns poucos sobreviventes e os zumbis. Eles vivem separados um do outro, pois enquanto os zumbis querem comer cérebros, os vivos desejam eliminá-los de toda a face do planeta Terra e, assim, tentar reconstruir a raça humana como era antes do ataque do vírus mortal.

O filme é narrado por R (Nicholas Hoult), um zumbi “diferentão” que faz questão de nos mostrar como é a vida de um morto vivo. E é exatamente aqui que está o primeiro ponto positivo da obra aqui em questão: é incrível como R nos descreve a vida de um zumbi. Ele comenta todas as dificuldades que possuem, a pseudovida que têm, etc. Sério, é de arrepiar!

Em certa ocasião, quando R e os outros zumbi estão desesperados a procura de alimento, eles são atacados por uma trupe de humanos que desejam matá-los. No meio do embate, R acaba devorando o cérebro do namorado de Julie (Teresa Palmer), filha do general Grigio (John Malkovich). R, então, rapta Julie e a leva para a sua “casa”, um avião abandonado em um aeroporto desativado. O conflito então se inicia: de um lado Grigio deseja ardentemente recuperar a sua tão querida filha e do outro Julie tentando entender o zumbi R.

Inicialmente, Julie tenta de todas as formas fugir de R, entretanto o mesmo não a permite, afirmando que a sua vida estaria em risco caso ela fugisse. Julie começa a ver que R não é um zumbi como qualquer outro, pois ele começa a cuidar dela. A partir desse momento ambos começam a construir um relacionamento cômico, mas bastante belo e R começa a ganhar vida à medida em que ele se aproxima cada vez mais de Julie. Assim, chegamos ao final do filme (sim, eu vou precisar contar o final. Caso você não conheça o filme, o assista e volte aqui depois).

A relação entre R e Julie nos leva a uma guerra entre humanos e zumbis. Entretanto, algo muito lindo acontece… Quando os vivos estavam prontos para eliminar todos os zumbis, Julie anuncia que isso não deve ocorrer e ela então narra todas as experiências vividas com R e quanto o zumbi se preocupava com ela. A partir daí R começa a “ressuscitar”, ou seja: voltar à sua condição de vivo. Isso choca a todos: os humanos, por acharem que os zumbis não podem ter mais humanidade, e os zumbis, por eles odiarem os humanos e não acreditarem que possam viver novamente. Quando todos concluem que a amizade entre R e Julie não trouxe nenhum mal à garota (muito pelo contrário!), os humanos e os zumbis fazem as pazes e os humanos começam a cuidar dos mortos vivos que começam a se recuperar, ou seja: reconciliação e amor! Todos viveram felizes para sempre.

Na ocasião em que vi o filme era o dia dos namorados e já tinha visto as chamadas anunciando o longa para a sua exibição nesse dia para a sua comemoração. Enquanto eu via o filme e para que caminho ele estava trilhando, eu confesso que fiquei muito emocionado com o que eu estava vendo e a primeira coisa que eu pensei exatamente foi: “Cara, isto é a Graça! Isso é a história da Redenção!”

“Meu namorado é um zumbi” pode ser considerada uma grande parábola, uma bela analogia, para nos explicar a história e a beleza das Boas Novas de Cristo Jesus.

Veja só, assim como R, nós também somos os zumbis, os mortos vivos, “mortos em nossos pecados e delitos”, um verdadeiro sepulcro aberto. Assim como R tinha o seu cotidiano resumido a comer cérebros, nós, os pecadores caídos, somos escravizados pelo pecado que dirige a nossa existência tirando dela todo o prazer, beleza, sentido (assim como R no relato que era a sua “vida”). Entretanto, Deus nos envia a sua “Julie”, aquele que veio habitar entre os zumbis, entre os mortos vivos. Então, alguns pecadores, por intermédio do Eterno, têm os seus olhos abertos e, da mesma maneira que R, o coração voltar a bater e a vida começa a ganhar o seu sentido e ela realmente acontece.

A história de R e Julie e o quanto ela vivificou o pobre zumbi serve como um analogia que nos conta a história de todo aquele que foi alcançado pela Graça. Um pecador morto que encontra Alguém que lhe dá vida, que o transforma, que o salva de uma vida movida por vontades feias que dão apenas um prazer passageiro e enganoso. Uma relação transformadora, que dá o fôlego de vida, esperança, graça, disposição. Até hoje, quando eu revejo “Meu namorado é um zumbi”, eu não consigo lembrar de outra coisa a não ser a história da Redenção.

Entretanto não para por aí, tem mais: as consequências do romance entre R e Julie! Quando o que estava acontecendo entre os dois se torna público, as outras pessoas também são afetadas pela relação excêntrica. É a partir do relacionamento entre R e Julie que os humanos e zumbis se entendem. Há cura, perdão e o mais importante: há vida, pois o humanos começar a trabalhar pela recuperação dos zumbis. Isso nos entrega uma grande lição: quando uma pessoa encontra-se verdadeiramente em Cristo, tem os seus pecados perdoados por Ele e recebe a Vida Eterna, os outros que o cercam também são afetados com isso. Não, eu não estou querendo dizer que os cercam um salvo serão automaticamente salvos sem a necessidade de arrependimento genuíno, mas sim que, estas pessoas passam ser abençoadas!

Eu estava conversando com uma certa pessoa recentemente e chegamos juntos a conclusão de que quanto mais perto uma pessoa está de Deus, mas isso se torna perceptível. Isso porque obedecer a Deus e viver para a Sua glória também passa pelos nossos relacionamentos interpessoais. Observe: quando um a pessoa verdadeiramente salva está disposto a obedecer a Deus, ela tratará melhor os seus pais (pois Deus exige isso dele) que, por sua vez, o amarão ainda mais do já amam; tratará melhor os seus amigos, estará sempre ponto a perdoar, a ouvir, a orar, a ajudar, estará mais e mais preocupada com as pessoas, não se meterá em conflitos, seu namoro ou casamento será bem sucedido, enfim: ele será um exemplo, um modelo a ser seguido. Assim como o amor de R e Julie trouxe restauração para a realidade em que eles se encontravam, assim também a relação entre um eleito e o seu Deus resultará em bem estar para as pessoas que o cercam. Cristo é glorificado e revelado na vida do indivíduo salvo mediante a Fé em Jesus Cristo quando além da própria salvação concedida a ele, este vive em contínua obediência Àquele, por amor do Seu nome, e isso passará, obrigatoriamente, pela maneira como ele se relaciona com o mundo e as pessoas. O salvo sempre será um agente de transformação e reforma por onde ele passar.

E pra não permanecer apenas nas minhas palavras, a Bíblia nos conta a história do profeta antigotestamentário Elias. Elias tinha o hábito de sempre passar por uma mesma região. Em tal lugar morava uma família e mesmo sem Elias sem aproximar deles, sempre quando ele passava por lá a senhora da casa exclamava para o seu esposo: “vejo que este que passa sempre por nós é santo homem de Deus” (2Rs. 04:09). Aquela mulher sabia que Elias não era só mais um, ele era diferente, pois ele era um “santo homem de Deus”. Tempos depois, Elias foi usado por Deus para levar bênção àquela casa. Viu? Elias, por se relacionar com Eterno, conseguiu levar bênção a quem precisava. A reflexão fica: será que, por sermos cristãos, filhos de Deus, estamos conseguindo levar Esperança e Alegria a quem tanto precisa? Será que o nosso relacionamento com Deus é como a relação entre R e Julie, que leva restauração e impacta profundamente que está ao nosso redor?

“Meu namorado é um zumbi” mais do que um excelente filme e uma belíssima história de amor nos faz lembrar da Justificação que apenas em Cristo possuímos e também do altíssimo poder que a nossa relação com Deus possui na vida dos outros. Lembre-se e não esqueça jamais: a vida cristã não pode ser comparada a uma criança que não quer dividir o seu brinquedo com ninguém, mas sim com o amor entre Julie e R, que por sua relação, levaram amor a que tanto precisava, ele e os outros que o cercavam. Paz!

 

Natanael Costa

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