Ano passado escrevi meu primeiro texto sobre The Big Bang Theory. Falei sobre Mary Cooper, mãe de Sheldon, como exemplo de alguém que serve a Cristo com sinceridade, sem religiosidade e sabendo como lidar com pessoas céticas que a criticam o tempo inteiro. Pergunto-me, entretanto, o que mais podemos extrair de bom de uma série de comédia?

Vamos começar do começo. Na primeira temporada somos apresentados aos quatro amigos: Howard Wolowitz, Leonard Hofstadter, Rajesh Koothappali e Sheldon Cooper. Eles têm uma rotina que inclui jogar, assistir a filmes, ir à loja de quadrinhos e comer juntos, seja no trabalho ou em casa. Também é possível perceber uma subdivisão no grupo, formando duas duplas mais chegadas (Howard e Raj; Sheldon e Leonard). Mesmo assim o grupo funciona bem, tendo sua harmonia balançada pela chegada de Penny, a nova vizinha, típica menina líder de torcida que vemos nos filmes (loira, atraente e burra). Nas terceira e quarta temporadas, Bernadette e Amy, respectivamente, chegam para completar o grupo.

Tempos atrás vi alguém comentar na página oficial da série que não estava gostando, porque os personagens estavam perdendo sua essência. Discordo. Uma coisa que fui percebendo em The Big Bang Theory é que a partir dos temas nerds e da comédia, os sete personagens nos ensinam sobre a vida, sobre mudanças, amadurecimento e sobre relacionamentos.

O primeiro ponto que observo é que todos mudaram ao longo do tempo e à medida que o grupo aumentava. Raj, não falava com mulheres, Howard era o típico filhinho da mamãe que não dava para levar a sério, Sheldon não admitia a possibilidade de estar em um relacionamento amoroso, Leonard era extremamente inseguro. A chegada das três moças à vida deles trouxe um amadurecimento para eles. E o melhor é que essa mudança foi bilateral, pois a amizade do grupo e os relacionamentos amorosos, em particular, também a afetaram, de modo que a Penny garçonete do Cheese Cake Factory não é a mesma Penny representante farmacêutica; a Bernadette competente e focada na carreira, agora é também mãe e a esquisitona Amy agora tem amigos.

É importante falar disso, pois servimos a um Deus que gosta de gente, de muita gente e, melhor ainda, de gente que anda junto. A Bíblia nos mostra amizades improváveis como a de Davi e Jonatas, que mudou a vida de ambos e nos diz que é melhor não andar sozinho, pois se um cair o outro levanta o seu companheiro (Ec 4:10) e aquele que se isola, busca seus próprios interesses (Pv 18:1).

O próprio Jesus reconheceu a importância da amizade, do andar junto. Ele escolheu doze homens, alguns deles de grupos políticos/econômicos discordantes, o que hoje é motivo para duas pessoas se excluírem do facebook e nunca mais se olharem, e os fez andar juntos aprendendo a ser um. Andar com Jesus e com os outros, fez com que, por exemplo, o Filho do Trovão se transformasse no discípulo do amor.

Assim, há mais um ponto sobre o grupo de amigos de The Big Bang Theory: eles convivem, comem e passam tempo juntos. Convivência é importante para conhecermos e sermos conhecidos pelo outro e não dá para fugir dela ou substituir pela onda virtual que quase sempre nos afoga.

Os amigos e irmãos que aparecem em nossa caminhada são ferramentas de Deus para nos ensinar e nos moldar. A convivência e o amor nos ajudam a amadurecer e crescer, principalmente espiritualmente. Mas ninguém disse que seria fácil. São pessoas diferentes convivendo e isso sempre gera desentendimentos. Os nossos amigos de fé são como ferramentas que Deus usa para nos aperfeiçoar. De modo bastante semelhante, assim acontece com os sete amigos. Eles brigam sempre, mas não demoram muito para se resolver.

Voltando à Bíblia, o livro de Jó nos mostra três caras que diante do sofrimento do seu companheiro, não se compadeceram, não o ajudaram, apenas tentaram buscar belas explicações carregadas de culpa, porém sem nenhuma empatia. Já no novo testamento, Marcos narra um acontecimento curioso, a história de um rapaz que passou por um buraco no telhado, feito por seus amigos, para que ele pudesse chegar a Jesus. Essas histórias me fazem pensar que tipo de amigo eu tenho sido/quero ser: será que tenho ajudado a levar as pessoas que amo para perto de Cristo ou tenho sido indiferente a elas? Que possamos aprender, por exemplo, com a Penny, que sabe lidar com o temperamento difícil do Sheldon e que o próprio Jesus nos ensine como é ser um amigo de verdade.

 

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