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No primeiro texto da série eu falei um pouco dos perigos de uma vida cristã (individual) em uma comunidade com agendas de culto em um templo. Neste texto eu pretendo explanar um pouco mais esse assunto, porém com alguns questionamentos sobre até quando uma vida de “bater o ponto” em um templo é prejudicial à nossa vida cristã. Recomendo que se você caiu de pára quedas aqui, procure ler o primeiro texto, pois possa ser que você me interprete mal por uma ou duas opiniões que serão abordadas aqui. Encerrei o primeiro texto com uma pergunta: “Até que ponto uma vida cristã é saudável dentro dos templos?” E pretendo responder essa pergunta nesse texto. Posso falhar, mas minha oração é para que Deus nos instrua e ensine a viver da melhor maneira em comunidade.

Sempre digo que tive duas “conversões”. A primeira eu tinha mais ou menos 11 anos e foi em uma Igreja do Evangelho Quadrangular (muito comum aqui na minha cidade). Confesso que tinha medo em ir numa igreja evangélica, pois lá as pessoas possuíam demônio e os pastores corriam atrás para expulsar. Lembro que uma vez fui à igreja com os meus vizinhos e uma mulher ficou possessa (pelo menos aparentemente) e vários irmãos da igreja, homens fortes, não conseguiram segurar a mulher. Trauma!

Desde esse momento tive muito medo de ir a uma igreja. Voltando: nessa igreja Quadrangular ganhei minha primeira bíblia. Na verdade só o Novo Testamento – aqueles que os Gideões dão às pessoas para evangelizá-las. Eu fiquei fascinado com aquilo. Lia o tempo todo e já me achava um irmão da igreja. Mas isso durou pouco tempo. Tempos depois eu parei de frequentar os cultos e o pastor acabou vendendo o lote e a igreja saiu de lá. A segunda e definitiva conversão também foi em uma igreja neopentescostal. Lá eu me batizei e fui sonoplasta, levita (o que limpa e cuida do templo e não o que canta e toca), líder de jovem, depois vice-lider, diácono e de vez em quando pregador. Foi um tempo bom. Confesso que tive momentos de muitas alegrias naquela igreja e também as maiores de todas as decepções. As pessoas queriam o meu serviço, e não minha presença; eles ficavam satisfeitos com o número que eu representava e não comigo em si; eles não queriam relacionamento profundo comigo e sim uma troca de favores. Vamos refletir sobre alguns pontos cruciais de uma vida cristã em uma igreja institucionalizada, analisando até quando viver em comunidade frequentando um templo e cumprindo agendas de culto é sadio para o nosso relacionamento com Cristo:

  • ENQUANTO CRISTO FOR O CENTRO: Disse no primeiro texto da série que o que me fez afastar-me definitivamente das organizações religiosas foi a ausência de Cristo naqueles locais. Eu só conseguia ver músicos, pastores, eventos, risadas, mas era difícil ver Cristo. Até dava pra saber que Ele estava por ali, mas em um lugar bem pacato onde ele não tinha autoridade, apenas usado como lembrança religiosa histórica. Uma vida cristã em congregações institucionalizadas é sadia enquanto Cristo for o centro daquela comunidade, onde as pessoas se reúnem naquela casa para cultuar o Senhor, único digno de nossa adoração.
  • ENQUANTO A BÍBLIA FOR PREGADA: chegou um tempo nas igrejas em que eu passei onde a Bíblia era usada apenas como um livro de consulta. Quer um exemplo: o pregador vai lá, introduz o sermão, fala da proposta do sermão, ler um ou dois versículos e começa a falar de coisas nada a ver com o texto que leu e experiências pessoais. A Bíblia? Foi esquecida. A Bíblia não é um mero livro de consulta para ser usado em momentos que eu quiser respaldos para os meus argumentos. A Bíblia é a verdadeira e inerrante palavra de Deus, portanto deve ser tratada com prioridade e seriedade.
  • ENQUANTO OS IRMÃOS SE RELACIONAREM: Parece piada, mas não é. Existem arraiais por aí onde os irmãos não se relacionam entre si. Conheço uma igreja neopentescostal aqui na minha cidade onde os próprios membros da igreja não se conhecem. Estão todos os domingos debaixo do mesmo teto cultuando ao Senhor, porém não conversam com os irmãos. Eles já têm aquelas duas ou três pessoas que conversam na igreja e por isso excluem os demais do seu círculo de amizade na congregação.
  • ENQUANTO A AGENDA DE CULTO NÃO EXCLUIR MINHAS RELAÇÕES PESSOAIS: Você pode ter culto em sua igreja na quarta, sexta, sábado e domingo, portanto, precisa ter consciência que faltar um ou dois desses cultos não te fará menos cristão. Não há necessidade de 4 cultos na semana, porém se sua igreja tem essa rotina, separe ao menos um culto para ficar em casa ou fazer qualquer outra coisa. “Como assim Jhonata? Tá me incentivando a faltar culto?” Exatamente isso. Estou dizendo que você não precisa ir ao templo quatro vezes por semana e digo o motivo. A vida cristã não pode ser uma bolha onde eu só me relaciono com os de dentro. Sua santidade não é medida pela quantidade de vezes que você dobra o joelho durante a semana, mas pela sinceridade e pureza que há em seu coração na vivência com Cristo. Temos que ter cuidado para não deixar a religião sobrepor a piedade cristã. Jesus na primeira multiplicação dos pães deixou de orar, adiou o seu descanso para ir pregar e alimentar uma multidão. Perceba que muitas vezes seus amigos (aqueles que ainda não conhecem Jesus) precisam de uma luz como você para ajudá-los em algo. Precisam de sal como você para temperar seus projetos de vida. Cumprir agenda do nosso ministério onde o pastor é visto como chefe é passar, mesmo que inconscientemente, a encarar a igreja como uma empresa onde eu sou o funcionário que precisa prestar contas e os de fora é o público que precisa conhecer minha empresa e falar com o meu chefe (pastor). Pasmem! Não. Diga não a uma vida em comunidade baseada em mera expressão de esforço para ser visto.

Ter uma vida em comunidade em uma instituição com reuniões em templos e cultos duas ou três vezes por semana não é ruim em si, o problema é quando Deus deixa de ser o centro e começamos confundir ministério com emprego, pastor como patrão, culto como trabalho e templo como igreja. A vida cristã em comunidade não pode ser mecânica, ela precisa ser orgânica. As pessoas que se relacionam naquele ambiente precisam se amar, compartilhar do pão, ser sensatas. Oro para que você tenha entendido e viva melhor em comunidade a partir de hoje! Até mais!

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