Para quem não sabe, eu curso teologia pela Escola Teológica Charles Spurgeon. Confesso que entrar para esse curso foi a decisão mais assertiva que fiz nesses últimos anos. Faço o curso online da escola e no mês passado e início deste mês estudei o módulo de Cânones de Dort. Assim como qualquer curso superior, no meu também fazemos trabalhos que valem nota e neste caso são as resenhas. O texto de hoje será um pouco diferente dos que venho escrevendo para o blog pois se trata da minha resenha dessa disciplina. Detalhe: quando escrevo esse post, ainda não sei minha nota no módulo, mas espero que esse texto edifique sua vida e me der uma boa nota. (hahaha)

 

A confissão de fé é um dos principais padrões doutrinários das igrejas reformadas e isso tem feito com que elas se perpetuem por muitos e muitos anos. Assim como Cristo nos orienta a ter uma fé firmada na rocha, nossas igrejas precisam também de uma doutrina bíblica coerente, que é a mais pura e verdadeira revelação de Deus a nós. A Confissão belga, que tem esse nome pois é originário da região sul dos Países Baixos conhecida hoje como Bélgica, é composta por 37 artigos, pelo menos é o que temos de conhecimento da confissão hoje, que a luz da bíblia esclarece em que os cristãos protestantes (reformados) acreditam. A Confissão Belga é um retorno as Escrituras, uma morte necessária de tudo aquilo que pautamos como verdade absoluta e imposta aos outros como algo verdadeiro – como eram as indulgências. O seu principal autor, Guido de Brès, foi martirizado por causa da fé no ano de 1567. Ao compor a confissão, o autor teve referência, numa certa medida, da confissão das igrejas reformadas da França, escrita principalmente por João Calvino e publicada dois anos antes.

A confissão belga já em seu primeiro artigo glorifica a majestade e soberania de Deus ao afirmar que “SÓ EXISTE UM DEUS”, dando toda ênfase as Escrituras ao citar vários textos como base de que Deus é o único merecedor de toda honra e toda glória.
Todos nós cremos com o coração, e confessamos com a boca (Rm 10:10), que só existe um Deus (Dt 6:4 / 1 Co 8:4 / 1 Tm 2:5), que é um Ser espiritual e simples (Jo 4:24); Ele é eterno (Sl 90:2), incompreensível (Rm 11:33), invisível (Cl 1:15 / 1 Tm 6:16), imutável (Tg 1:15), infinito (1Rs 8:27 / Jr 23:24), onipotente (Gn 17:1 / Mt 19:26 / Ap 1:8), perfeitamente sábio (Rm 16:27), justo (Rm 3:25, 26 / Rm 9:14 / Ap 16:5,7), bom (Mt 19:17) e a fonte transbordante de todo o bem (Tg 1:17).

A volta às Escrituras forma uma igreja autêntica, embasada nos ensinamentos de Cristo e apaixonada pela Palavra. No artigo 3 a confissão acrescenta a necessidade da “PALAVRA DE DEUS”. “A palavra de Deus não foi enviada nem produzida pela ‘vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo’, como afirma o apóstolo Pedro” (2 Pe 1:21). As Escrituras sempre foi, e sempre será, o livre acesso que temos a Deus e a forma direta e única pela qual Ele decidiu se revelar a todos os homens. É interessante ver que a “igreja” só é mencionada na confissão no artigo 27, muito depois do ponto das sagradas escrituras. “Cremos, sem dúvida nenhuma, em todo o que eles contém, não tanto porque a igreja assim os recebe e aprova, mas principalmente porque o Espírito Santo testifica em nossos corações que eles vêm de Deus” (Artigo 5). Como diz Tim Keller: “a bíblia julga a igreja; a igreja não julga a Bíblia. A bíblia é que cria e fundamenta a igreja; a igreja não cria nem fundamenta a Bíblia” (Gálatas para Você, pág. 23, São Paulo, Vida Nova, 2015). E um outro aspecto bastante interessante e doutrinário na confissão belga é “A SUFICIÊNCIA DA SAGRADA ESCRITURA” (Artigo 7). A bíblia – composta pelos livros canônicos e não os apócrifos – “contém perfeitamente a vontade de Deus e que ensina suficientemente tudo aquilo que o homem precisa saber para ser salvo.”. Nas Escrituras está toda nossa base para viver o Evangelho e qualquer outra coisa, de qualquer outro livro, de qualquer outra filosofia e seja qual for a pessoa, que prega algo diferente do que está na Bíblia Sagrada, que seja maldito (Gl 1:8). Não nos é permitido considerar quaisquer escritos de homens, por mais santos que tenham sido, como de igual valor ao das Escrituras Divinas; nem devemos considerar que costumes, maiorias, antiguidade, sucessão de tempos e de pessoas, concílios, decretos ou estatutos tenham o mesmo valor da verdade de Deus, porque a verdade está acima de tudo. Pois todos os homens são em si mesmos mentirosos e “mais leves que a vaidade” (Sl 62.9). Sola Scriptura!

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